Lunarcana
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A Morte & A Imperatriz — o que o cuidado pede que a gente solte

Duas das cartas mais encarnadas do baralho se encontram. A Imperatriz nutre, junta, sustenta; A Morte transforma em adubo, solta, deixa cair. Não são inimigas — são o inspirar e o expirar do mesmo trabalho biológico. Quando aparecem juntas, a dupla tende a fazer emergir uma pergunta sobre o que a gente cultivou com amor e que já terminou o próprio ciclo de crescimento — e sobre o que o próprio ato de soltar acabará alimentando.

O canteiro só continua fértil porque a florada do ano passado foi deixada cair. Que coisa ainda amada está sendo convidada a virar adubo?

O que dá para reparar

Dá para reparar essa dupla caindo em estações de cuidado — com um filho, um projeto, uma relação, uma prática criativa — quando algo por dentro já sabe que o formato do cuidado precisa mudar. A Imperatriz pode segurar apertado sem se dar conta de que segura há tempo demais; A Morte afrouxa esse aperto sem diminuir o amor. A dupla costuma chamar atenção para os corpos: cansaço, ciclos de fertilidade, o que foi regado em excesso, o que nunca foi plantado. É uma dupla fértil, não assustadora — ainda que o trabalho que ela pede seja real.

Perguntas para sentar-se com

  1. O que venho cuidando muito depois de terminado o seu tempo?
  2. Onde o meu cuidado de fato alimenta, e onde ele sufoca?
  3. O que pode virar adubo para o crescimento do próximo ano?
  4. O que em mim precisa ser re-mãezado, e o que precisa ser solto?

Quando este par costuma aparecer

Costuma aparecer em revisões de fim de ano, na ternura pós-parto ou pós-projeto, no encerrar de um arco longo de cuidado, ou no instante em que uma obra criativa encontra o próprio fim de verdade. Também pode acompanhar o luto por fertilidade, por papéis familiares, ou por papéis de nutrição que já mudaram de forma. Trate como pauta lenta de diário; resista ao impulso de traduzir isso num prazo.

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